Ainda no começo de 2021, nos encontramos vivendo um evento histórico devastador, talvez mesmo um dos maiores nos recentes tempos: fomos instruídos a ficar em casa, usarmos máscaras e nos atentarmos a um inimigo invisível, porém catastrófico: o vírus Covid-19. Vários de nossos instintos primordiais, incluindo a exploração, foram encarcerados, sem previsão de saída ou fiança; mesmo assim, pude ter essa experiência com um jogo: Valheim.

Ficar em isolamento nos permitiu muitas coisas: alguns decidiram utilizar de seu tempo para desenvolver uma nova habilidade, ingressar em hobbies ou até mesmo começar a se exercitar, por mais contraditório e inusitado que seja uma situação de isolamento despertar a vontade do treino físico; porém, se tem algo em que eu pessoalmente mergulhei durante o período que estive preso dentro de maciças quatro paredes de concreto é a ideia de que a mente humana pode nos levar a qualquer lugar que desejarmos ir.

Viajar para outros mundos, visitar castelos abandonados, explorar masmorras em decomposição e vastas cavernas de gelo, além de vilarejos com as mais diferentes culturas nunca foi tão fácil quanto agora: o poder da mente se une ao poder do audiovisual, através da experiência sonora e óptica que são os jogos digitais.

Quando abri Valheim pela primeira vez, fiz questão de maximizar os gráficos e desabilitar a trilha sonora constante (algo que me traz certo teor de arrependimento, agora que pude perceber o quão confortáveis, misteriosas e épicas são as faixas compostas para o jogo). Criei meu personagem e pousei no desconhecido, não sabendo do que o jogo se tratava e muito menos qual era meu objetivo primordial além de sobreviver; porém, algo instantaneamente “clicou” dentro de mim: quando vi as montanhas, árvores e oceanos ao meu redor, eu não estava mais em casa na frente de meu computador. Eu estava em Valheim.

Em seguida, o nosso editor Gustavo entrou no jogo, e decidimos então “começar” a jogar, agora com ímpeto de vitória e objetivos em mente.

Cortamos madeira, caçamos animais, lutamos contra algumas criaturas (apenas meros empecilhos em nosso caminho) e estabelecemos nossa presença naquele mundo distante, tão distante que seria impossível visitá-lo sem alguma tecnologia do futuro que ainda está por vir.

Depois de três a quatro horas de jogatina e incontáveis erros técnicos, matamos o primeiro chefe e resolvemos parar de jogar. (O jogo ainda está em acesso antecipado e fez com que minha máquina, que tem suas qualidades, sofresse um bocado para rodá-lo perfeitamente).

Havia sido uma experiência divertida; porém, ao fechar o jogo, fui instantaneamente teletransportado ao mundo real novamente: eu estava em meu quarto, distante do épico e da misteriosa floresta onde o jogador inicia sua jornada.

Senti saudades, sim: o jogo me cativou com sua jogatina que exige a cooperação para sobreviver, a coordenação para derrotar os chefes e a paciência para enfrentar o peso de uma morte, que não só deduz os itens do jogador de seu inventário, mas também despe-o de alguns pontos de experiência recém adquiridos em suas barras de habilidade (estas funcionam como em Runescape: cortar madeira te faz um melhor lenhador, assim como lutar te faz um melhor guerreiro, uma boa analogia à como nos desenvolvemos no mundo real).

No entanto, o que mais tocou não só meus olhos como também meus ouvidos e mente foi a atmosfera imersiva e escapista de um universo onde não temos que nos preocupar com consequências reais; ou, em meu caso, o cinza denso e hostil da cidade grande.

Em Valheim, sobrevivemos para podermos desafiar deuses antigos e nos tornarmos uma lenda. Exploramos porque nosso senso de liberdade, agora livre de suas amarras, flui com o vento, nos levando a descobrir os mais inquietantes cantos de um mapa que é gerado aleatoriamente, único para cada um que ousar pisar nas terras de provação.

Estamos livres e distantes de um inimigo que, por enquanto, não somos fortes o suficiente para abatermos, mas que se lutarmos juntos e desenvolvermos os itens e habilidades necessárias, será só mais um degrau em nossa escada para Valhalla.

Confira o trailer:

Valheim já está disponível em acesso antecipado no Steam.


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