Dragon Quest VII Reimagined | Primeiras Impressões

A demo de Dragon Quest VII Reimagined chega quatro semanas antes do jogo lançar (5 de Fevereiro de 2026); carregada pelos anseios dos fãs da franquia, tanto positivos quanto os mais enfurnados em dúvidas filosóficas. Afinal, o único jogo principal da franquia para PlayStation 1, e posteriormente refeito para Nintendo 3DS, é um dos mais controversos das questões dracônicas, quase que exclusivamente por razão do quão longo e extenso ele é. 

Não se focando numa apresentação bombástica tal qual seus conterrâneos do PS1, ele aposta em cerca de três horas de construção de mundo e pequenas sequências de quebra-cabeças antes de apresentar uma batalha em si. Apesar disso, lendas urbanas levam esse número a altitudes imensuráveis, em busca de provar que ele é lento demais.

A versão de 3DS reduz esse tempo pela metade, simplificando extraordinariamente os puzzles e conectando momentos de dispersão da versão original. Quem não gosta, agora gosta (?). E agora? O que a reimaginação deste jogo já refeito faz em busca de não se ofuscar, mas ser uma coisa própria?

Dragon Quest VII remake
Demorei quarenta e sete minutos para chegar no primeiro combate.

Eu confesso que era meio avesso à apresentação visual de Dragon Quest VII, mas não por desgostar das lindas maquetes de alta definição (tipo Fantasian: Neo Dimension), mas sim porque os bonequinhos de massinha de modelar semi-Akira Toriyama viviam numa estranheza visual, principalmente o Príncipe Keifer. Isso deixou de ser um problema em algum momento, já que uma das coisas mais perceptíveis é que ele tem uma visão mais impessoal do olhar do personagem e mais focada no mundo… Isso é filosófico, né?

Mas é algo literal: a câmera é a mais desaproximada entre os três jogos, o que ajuda na impressão de maquete que o jogo tem a intenção de transparecer o tempo todo. A câmera nunca tenta chegar tão próximo dos personagens, e quando chega, assusta um pouquinhos nas feições, ainda sim é uma pena. Todo RPG contemporâneo merece um botão de primeira pessoa, independente do quão bem trabalhado seja.

Todas essas coisas são envoltas numa embalagem de evidente respeito e polimento pelo estúdio Hexadrive (Ōkami, The 3rd Birthday, Monkey King: Hero Is Back, Silent Hill: The Short Message); cada pequeno toque do mundo tem o carinho e a sensação que as sementes de alto-orçamento de Dragon Quest VIII e, principalmente, Dragon Quest XI plantaram na franquia.

Diferente de dar um socão bem dado nos potes e barris, tal qual no 3DS, o protagonista volta a tacá-los de maneira abrupta e incoerente no chão, agora em 4K60FPS! O príncipe Keith fala “Keikaku” na incrível e linda dublagem japonesa que a franquia recebe (que eu já elogiei no meu texto de Dragon Quest III HD-2D Remake) e acho que isso por si só é lindo…

Sobre mudanças, elas obviamente existem, só que esse Dragon Quest Reimaginado flerta demais com aquilo que já estava presente no 3DS: foco maior em textos que definem melhor arquétipos; novamente quebra-cabeças cortados, mas não tão beneficiados.

Dragon Quest VII remake
Jack Daniel’s é canônico em Dragon Quest…

De algum modo soa mais natural, só que ainda sim, não tão cativante quanto no jogo original. Pensar que um jogo que foi lançado com a intenção de contar uma história tão grandiosa, que se constrói não em solenemente em sua conclusão, mas nas pequenas jornadas, tem a chance de ser mais picotado, não é tão animador; no entanto, a fé prevalece!

Ainda falta algum tempo para descobrirmos se realmente foram cortadas e abandonadas cidades e questlines inteiras do jogo principal. Nesse meio-tempo você pode jogar essa incrível demo de 3 horas 30x seguidas para equivaler ao tempo necessário para finalizar um clássico da franquia e dos RPGs japoneses!

Dragon Quest VII remake
Desculpa Maribel… eu confesso que achei que poderia apenas apertar atacar sem olhar o canto inferior direito da tela.