Monstrum II é a continuação de Monstrum, um jogo de terror que ficou levemente popular entre streamers e que já lançou há quase seis anos. Os dois jogos, produzidos pelo estúdio Junkfish, consistem do gênero de terror com elementos de stealth, onde o(s) sobrevivente(s) deve(m) escapar de um navio com salas geradas proceduralmente, além de morrerem permanentemente, assim como no gênero rogue-like.

Diferente do original, que era um singleplayer de sobrevivência, Monstrum II é um cooperativo assimétrico de 2 a 5 jogadores, incluindo o que controlará um dos três monstros disponíveis.

Vale explicitar que o jogo foi adiado: deveria sair ao fim do ano passado, mas teve seu Early Access liberado apenas recentemente. Além disso, já vou deixar claro que apesar da análise aqui feita, praticamente não há jogadores disponíveis nos servidores do game.

Não fui capaz de formar nenhuma sala, em nenhum dia e nenhum horário (nem mesmo os de pico), já que o jogo dificilmente sequer alcança dez jogadores simultâneos, conforme aponta o SteamCharts. O texto será composto de quatro partes:

  • Sobre Monstrum
  • Monstrum II
    • Gameplay
  • Onde Monstrum II Falhou?
  • Conclusão

Sobre Monstrum

O primeiro jogo se passa no navio conhecido como Hisa Maru, que ficou preso no meio do oceano. O objetivo do jogador é evitar os monstros e fugir por um de três métodos: um bote, um helicóptero ou um submarino.

Monstrum possui diversos tipos de itens: Itens de Missão, de iluminação, para distração, itens de defesa, itens-chave e outros.

O desafio também conta com três monstros: o Brute, de baixa inteligência e altíssima força e velocidade; o Hunter, uma espécie de tubarão-martelo humanóide que consegue escalar paredes e flanquear o jogador e, por fim, o Fiend, de baixíssima velocidade mas alta inteligência e que possui poderes telecinéticos.

Monstrum II

Gameplay

A gameplay da sequel é fundamentalmente muito similar: o jogo consiste de um multiplayer assimétrico, onde um time (Monstro) possui mais habilidades que o time dos Sobreviventes.

Nesse jogo há três monstros: Bruto, que funciona da mesma forma que o original; Bhaghra, uma espécie de peixe quadrúpede que consegue escalar tetos específicos, e o Malacosmo, uma lula humanóide com poderes psíquicos.

Cada um deles possui três poderes especiais, todas voltadas para mobilidade e/ou rastreamento dos jogadores.

Prisioneiros e Monstros de Monstrum II

Prisioneiros e Monstros de Monstrum II. Fonte: Junkfish / Divulgação

E, por fim, temos os Sobreviventes, que nada mais são que humanos genéricos procurando por ferramentas para encontrar uma saída do lugar. A movimentação dos humanos tem alguns detalhes a mais nesse jogo: escalar objetos, deslizar durante corridas e derrubar obstáculos, que trazem uma atmosfera muito similar ao Dead by Daylight.

A Experiência Monstrum

O jogo faz muito uso de artifícios como câmeras com alarmes, grades que precisam ser cortadas, caixas que precisam ser soldadas e obstáculos do tipo, que colaboram com o formato de “labirinto procedural” (a plataforma da foto abaixo) no qual os jogadores colaboram para encontrar uma fuga.

Seafort, o mapa de Monstrum II

Seafort, o mapa de Monstrum II. Fonte: Junkfish / Divulgação

O sistema é divertido, mas aparenta sofrer de alguns problemas de balanceamento entre os monstros. O fator crucial que diferencia o primeiro do segundo jogo é o próprio monstro, que deixa de ser uma Inteligência Artificial e passa a ser controlado por um jogador.

Ferramentas como alarmes de cozinha e extintores de incêndio precisam ser readaptados para lidar com inimigos humanos, ao invés dos bots do jogo original. Algumas análises da página da Steam do jogo dizem que o time dos monstros, especialmente Bhagra, são muito fortes. Ele foi destacado por sua mobilidade extrema, nesse caso.

Arte de Bhagra em Monstrum II

Arte de Bhagra em Monstrum II. Fonte: Junkfish / Divulgação

Infelizmente, a questão de balanceamento dos mapas, puzzles, timing de elementos como câmeras, portas e até armadilhas ambientais não foram exploradas por mim, já que, novamente, não fui capaz de jogar uma única partida durante a fase de early access do jogo (que ainda não se encerrou).

Afinal, onde Monstrum II falhou?

Novamente reiterando que o jogo atrasou e foi lançado como acesso antecipado, Monstrum II veio com recepção mista e poucas expectativas por parte da comunidade.

Além dos óbvios problemas de baixíssimas quantidades de jogadores em um jogo completamente multiplayer, muitos elementos aparentam ter sido deixados de lado nessa versão.

Para começar, todo jogo multiplayer deveria adotar o padrão de bots pré-configurados para se jogar sozinho. Esse padrão, adotado desde as eras de Quake e os mods multiplayer de Half-Life (como Team Fortress e versões iniciais de Counter-Strike), já introduziam sistemas de robôs que simulavam partidas online (mesmo que de forma porca) para os jogadores que ou chegaram fora de época, ou não tinham internet.

Além desse pecado, o jogo conta com vários problemas no design: muitos jogadores reclamam da falta de clareza nos objetivos a serem concluídos, animações incompletas, problemas de som direcional (como sons de passos, o que torna itens como flashbangs muito mais poderosos) e problemas com interações básicas (como apertar botões, a física de movimentação e se esconder em armários), que são mal polidas e que incomodam constantemente na jogabilidade.

Ainda mais, o jogo conta com problemas estranhos de performance e otimização, possuindo pouquíssimas opções de configurações gráficas que não são claras no que sequer fazem com seu jogo.

Muitos jogadores também conflitaram sobre o level design, dizendo que o jogo possui uma ausência de armadilhas ou elementos interatíveis entre os dois times, que entra no problema da conversão de um jogo singleplayer para um cooperativo assimétrico.

A falta de armadilhas, objetos de distração e outras mecânicas inerentes de um sistema de player versus Inteligência Artificial fazem falta em um jogo que aparenta replicar (de forma ruim) a fórmula do sistema de cooperação assimétrica de Dead by Daylight, mas sem muitas das suas mecânicas e otimizações únicas como sistemas de pontuação e trilha sonora dinâmica.

Roadmap de correções e atualizações em Monstrum II

Roadmap de correções e atualizações em Monstrum II. Fonte: Junkfish / Divulgação

Ainda se tratando de um Early Access, temos que pontuar que a Junkfish já tem ciência desses problemas e está correndo para corrigi-los, como dá pra ver no roadmap acima. Dentre as atualizações mais notáveis prometidas, temos:

  • Convite de amigos pelo sistema da Steam
  • Correção de spawn de Monstros e Prisioneiros
  • Melhorias de performance e interface
  • Rebalanceamento de habilidades de monstros e de desafios dos mapas
  • Reajustes nos sistemas de música e áudio direcional
  • Novos ajustes ambientais (como vinhas para monstros escalarem e armários para prisioneiros se esconderem)
  • Melhorias de animação e hitbox de objetos cruciais do jogo

Conclusão

Monstrum tinha tudo para ser um ótimo jogo de terror, uma versão rogue-like com mecânicas similares aos clássicos Amnesia e até de Alien, mas que acabou pecando ao tentar converter seu sistema (claramente não projetado para isso) ao formato multiplayer; Monstrum II foi, por sua vez, lançado de forma incompleta sem saber onde direcionar seus esforços durante sua turbulenta produção no ano de 2020, marcado para sempre pela pandemia de Covid-19.

O jogo, novamente, não passa de um early access; mesmo assim, Monstrum II não só passou por problemas de identidade (com as comparações a Dead by Daylight), como também saiu cedo demais da sua incubadora. Um dia, talvez, ele possa fazer um retorno, mas por enquanto, não recomendamos adquirir o jogo.

Monstrum foi feito com paixão e é um jogo relativamente singular, sendo divertido e proporcionando elementos únicos o suficiente para justificar a sua compra. O segundo jogo, por sua vez, não se deu tão bem assim.

Arte do Bruto em Monstrum II

Arte do Bruto em Monstrum II. Fonte: Junkfish / Divulgação

 


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