Nota: essa análise escrita também é uma análise em vídeo no canal Avatics. Se você viu o vídeo, você deveria ler a análise, que tem informações adjacentes e, em breve (™), um capítulo extra quando, enfim, o escritor finalizar Dragon Quest VII Reimagined. Se você leu o texto, também veja o vídeo, eu juro que vai fazer sentido.
Dragon Quest VII é um dos maiores jogos RPGs de todos os tempos, vai por mim…
Quer dizer, ele é pelo menos o maior Dragon Quest de todos os tempos, em tamanho de jogo. A jornada dos nossos protagonistas é basicamente a bíblia sagrada dos games em todas as analogias possíveis, principalmente em volume de versículos.
No entanto, eu não posso explicar nenhuma delas imediatamente, pois seria spoiler deste videogame de 26 anos atrás. Mas eu vou te dar um outro spoiler: Dragon Quest VII Reimagined é incrível e, talvez, o Dragon Quest perfeito para você jogar! Se você cogitava ele como a sua porta de entrada, numa franquia tão cativante e memorável, eu te asseguro: vai fundo.
Claro que, com essa recomendação direta, eu basicamente renuncio uma análise comparativa de todas as versões de Dragon Quest VII, mas por um motivo muito simples. Eu não joguei, na integridade, todos os Dragon Quest VII para ponderar as remoções e renúncias “desrespeitosas”; a ótica será de um novato no videogame.

Dragon Quest VII Reimagined é um jogo desenvolvido pela Hexacraft e publicado pela Square Enix, lançado dia 5 de fevereiro de 2026 para Nintendo Switch 1 e 2, Playstation 5, Xbox Series S|X e PC. Ele é o primeiro remake de Dragon Quest que prefere cortar coisas antigas do que colocar coisas novas.
Dragon Quest VII Reimagined é a porta de entrada perfeita para quem deseja passar perto de 100 horas jogando um RPG tão simples quanto pular amarelinha, com cerca de 360.000 quadradinhos antes de você, enfim, atingir o céu.
Um RPG para todos dominarem, com um sistema simples e eficiente baseado nos clássicos Wizardry e Ultima, assim como todo Dragon Quest.
Também assim como todo Dragon Quest, há uma pequena surpresa mecânica. Durante toda a jornada habitam brincadeiras de puzzle e um pouquinho de collethaton. Te garanto que não é uma experiência muito próxima de um Myst ou um Banjo Kazooie.
No entanto, esses elementos foram cada vez mais execrados de remake para remake, o que é realmente uma pena.

O jogo tem todas as dinâmicas amadurecidas da franquia, e seu loop já está bem estipulado. Conheça uma nova terra, enfrente os novos inimigos dos arredores, entre na cidade, converse com os cidadãos, quebre muitos barris e leia livros. Ouça falar sobre um problema e, enfim, resolva esse problema.
Um problema sempre muito bem animado e desenhado, pois são chefes tremendamente carismáticos e desenhados por Akira Toriyama. Nesse exato momento, Dragon Quest VII tem meu bestiário favorito de toda a franquia.
Acompanhe um protagonista silencioso, filho de um pescador parrudo, e que parece uma estranha mistura de chaves com o Chapolim, e a jornada dele com seu amigo Kiefer, o príncipe do reino de Estard, e Maribel, filha do prefeito da cidade do protagonista. Por incrível que pareça, todos os personagens são adolescentes de 16 anos, apesar da cachola grande.
Toda a trama se dá na estranha sensação de viver num marasmo por aventuras. Uma ansiedade de viver algo além do que te é prometido. Os protagonistas vivem numa ilha isolada, acostumados com a monotonia e um cargo prometido desde a sua nascença. Aquele lugar por inteiro é seu mundo.

O príncipe é o porta-voz da busca por aventura, se sentindo como se fosse o herói dessa longa jornada e, como bom amigo, o protagonista o acompanha, aparentemente também interessado pela jornada. Já a Maribel, como o próprio manual do jogo original estipula: “tem a tendência de achar que o mundo todo gira em torno dela”.
Juntando os fragmentos de mapas do passado, os heróis dessa jornada conseguem encontrar ilhas de um passado distante que os permitem, enfim, viver a aventura de suas vidas.
Sugestão: jogue a demo, conheça esse mundo e, se você se sentir interessado, compre o videogame. Você vai ganhar o pijama da Maribel. Ao invés de adicionarem as roupas de jobs do remake de 3DS no jogo em si, eles colocaram essas roupas horríveis que referenciam jogos passados como DLC paga…
Dragon Quest VII Reimagined se aproveita da estética onírica pré-HD-2D da versão original de PlayStation 1, pra flertar com uma nova estética para a franquia principal. Os bonecos são bonecos, literalmente bonecos de madeira feitos à mão, o que talvez faça você entender a potencial sensação de desconforto vendo a cara do jovem príncipe, que parece ter sido feito de cobaia para a primeira harmonização facial clandestina da história.

Superando essa estranheza, esse jogo é absolutamente lindo. O visual de maquetes herdado de Fantasian, munidos das incríveis e carismáticas animações de combate dos inimigos, provam a força do legado desta franquia. Não me pergunte como, mas esse jogo da Unreal Engine 5 funciona no seu Nintendo Switch… 1. E sim, já que ele tá na Unreal Engine 5, ele obviamente tem stutters.
O combate, bem, é o combate do Dragon Quest: você mata bixinho e, se você QUISER, você grinda. Mas, se você por um acaso não gosta de grindar, considere gostar. Entenda que boa parte dos processos de nossa vida são a repetição de ações em busca do aperfeiçoamento da mesma; confiar cegamente na sua intuição pode custar caro…
Existem consideráveis melhorias de qualidade de vida em Dragon Quest VII Reimagined. A dificuldade é completamente mutável: você pode abaixar o dano do inimigo, subir a quantidade de XP, dinheiro e a velocidade do combate. Viva o seu sonho, mas talvez alguma moderação seja adequada. Se viciar em aceleração de combate não deve fazer bem pra cabeça.
Dois sistemas excepcionais adicionados especialmente nesse remake são: o Let Loose (o equivalente do Peep System de Dragon Quest XI), onde existe uma barra invisível para o jogador que, quando preenchida, te permite usar um poder especial para se fortificar e realizar ações específicas, como danos críticos e passivas especiais. É tipo o Trance de Final Fantasy IX, que é tipo o Limit Break de Final Fantasy VII, que é tipo um sistema que existe em centenas de RPGs japoneses.

Claro, agora, nessa incrível reimaginação, você pode arranjar não apenas um emprego, mas dois! Uma adição que reflete o momento em que vivemos na sociedade onde, mesmo adolescentes, jovens-adultos e idosos são obrigados a sacrificar seu tempo de lazer para trabalhar cada vez mais.
Mas, para o divertimento do jogador, esse sistema de vocação reinterpretado te permite utilizar e aprimorar duas classes distintas ao mesmo tempo, para não ficar preso em arquétipos clássicos de equipe do tipo guerreiro, mago, clérigo e ladino. Nada melhor do que ser um pastor ou um palhaço em meio a tanto caos.
Existe, na realidade, muito caos nesse mundo tão singelo à primeira vista. Dragon Quest VII não foge dos atos mais vis que um ser humano pode cometer. Em um pequeno e aparente singelo vilarejo, um morador ganancioso faz um pacto com um demônio na constante sede por poder.
O preço é simples e monstruoso: uma espada amaldiçoada que exige a absorção de almas humanas. Ele aceita tal preço sem hesitar. Mata todos ao seu redor. Homens, mulheres — até crianças.

Takeshi Ichikawa, produtor da reimaginação, afirmou que a palavra que ele e Yuji Horii (criador de Dragon Quest) mais falavam para discutir a trama de Dragon Quest VII era “irracional”.
Não que as coisas acontecessem de maneira incoerente, mas que os protagonistas do mundo estavam sempre à mercê de acompanhar as tragédias com o amargor da sensação de não conseguir cumprir seu propósito num mundo tão injusto.
Esse é um sentimento recorrente nos Dragon Quest pós-modernos e quebra a sensação de um conto de fadas inocente. Talvez o escapismo realmente seja a palhaçada…

Dragon Quest VII foi o jogo principal mais ousado da franquia, e o mais longo dela. Na versão de PlayStation 1, não era difícil passar de mais de 100 horas jogando e, no 3DS, ao menos umas 80.
Yuji Horii, depois de ter trabalhado em Chrono Trigger, sentiu a necessidade de ir um passo além com o próximo jogo da franquia Dragon Quest e, com um estúdio de 33 + 2 desenvolvedores (Heartbeat Inc.), o jogo passou por um longo processo de desenvolvimento, com direito a atrasos e uma troca de plataforma, já que o Nintendo 64 não era a opção mais confiável para RPGs naquela época.
(Considere esse longo desenvolvimento como 4 anos, o que, em tempos longínquos, era longo).
Tudo isso resultou num script com mais de 70 mil páginas para ser traduzido da noite pro dia no Ocidente e a verdadeira deificação do mundo de Dragon Quest.

+Leia Também: Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride — o tempo é inevitável
O grande problema para muitos em Dragon Quest VII é sua extensão. Afinal, você basicamente tem que lidar com o ciclo de procurar fragmentos de mapa para uma ilha nova, entrar na ilha nova, explorar ela, resolver o problema, voltar para o presente, ir na versão presente da ilha e resolver o problema presente. Esse é o jogo.
Eu gostaria de ressignificar isso. Claro, é legal quando compreendemos uma estrutura de atos muito bem definidos em nossas obras e podemos entendê-las como uma grande narrativa linear, mas Dragon Quest VII não quer isso do jogador.
Ele quer que você trate ele, no mínimo, como o desenho animado matinal. No entanto, eu tenho uma outra consideração pra isso. Como um jogo tão grandioso para a sua própria série, Dragon Quest VII quer te acompanhar pelos próximos meses e anos, como um bom livro de fantasia te acompanha 30 minutos antes de você ir dormir no seu dia a dia.
A separação de micro-narrativas desprendidas tem a licença poética de agir como versículos de uma grandiosa epopeia histórica, onde cada um dos versos tem espaço para te ensinar algo novo e trazer outra anedota mítica.

E eu não tava brincando quando eu disse que esse jogo era a bíblia sagrada dos games; ele é literalmente o Dragon Quest que mais se baseia na percepção de bem e mal e divindades correlatas da crença cristã. Até mesmo por isso é tão latente a convergência de visões maniqueístas na obra.
Só saiba que tem um comercial japonês em castelhano de Dragon Quest 7 para Nintendo 3DS. Isso diz alguma coisa…
E é aqui que esse jogo brilha: contos de fada podem soar singelos, mas carregam consigo simbolismos e histórias que reverberam com as sensações e conflitos mais íntimos e dolorosos que vivemos.
Nota: caso você tenha interesse de se aprofundar nas dinâmicas metafísicas das provocações de Dragon Quest VII, eu recomendo o artigo “God Won’t Forgive You For Following His Will”.

Você não precisa ou deveria realmente jogar Dragon Quest VII Reimagined, a não ser que você queira jogar. Ele sequer é a versão perfeita de Dragon Quest VII. A versão perfeita é aquela que você quiser que seja.
Cada versão é incrível de sua própria maneira e se mantém como traduções e readaptações de histórias, com seus próprios propósitos e crenças. O dever do jogador é apenas acompanhar uma linda jornada e reverberar esse folclore para o próprio mundo.
Jogue — mas jogue do seu jeito, na sua versão, no seu tempo.
Talvez o mais importante realmente seja ter a oportunidade de continuar reexperimentando esses jogos de maneiras diferentes sempre que possível, revisitando uma antiga memória com outra roupagem. Remakes e reimaginações não são um problema; substituições? Isso sim…
Mas não precisava remover o cassino…

Uma cópia de DRAGON QUEST VII Reimagined para PC foi concedida pela Square Enix para análise no Recanto do Dragão.
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