Para se destacar entre milhares de concorrentes e para os desenvolvedores experimentarem ideias novas em um mercado cada vez mais competitivo, jogos independentes costumam ter mecânicas e visuais únicos. Hotline Miami, por exemplo, têm sua gameplay impiedosa e estratégica, enquanto Undertale possui seus visuais de estilo misturados e seu combate com opção de piedade à inimigos. Olija, mesmo com múltiplas qualidades, não tem algo assim.

Narrativa

Olija possui uma história simples, mas ainda assim vaga. Quase nenhum conceito do mundo em que se passa é explicado ao jogador, deixando vários dos acontecimentos e seus significados à interpretação do jogador. Isso não é um ponto negativo por si só, já que outros jogos como Dark Souls fazem isso bem, mas Olija ainda mantém um certo peso de entendimento do jogo na história e possui cutscenes (muitas delas sem diálogo), o que acaba deixando a história confusa e às vezes sem direção.

A base do jogo é simples de entender. O protagonista é Faraday, um lorde que é naufragado em uma viajem de navio junto de outros tripulantes em uma época antiga não específica, e que deve viver então em um pequeno vilarejo criado pelos náufragos no país em que eles ficaram presos, Terraphage. O objetivo de Faraday é então arranjar uma maneira de sair de Terraphage e levar consigo o resto da vila.

Olija

No meio do caminho, Faraday acha um arpão lendário. Este arpão dá a ele a habilidade de se teletransportar para qualquer lugar em que é fincado, além de ser uma poderosa arma de combate.

Esta é a base narrativa de Olija que é devidamente explicada ao jogador. Diversos outros acontecimentos importantes são apresentados de maneira confusa, incluindo o relacionamento entre Faraday e Olija.

Ela é (aparentemente) uma nobre de Terraphage que se apaixona por Faraday, algo que é proibido em seu clã, que impede relações entre pessoas de nacionalidades diferentes. Isso, claro, vem da minha interpretação pessoal do relacionamento dos dois, e é um exemplo do quão vaga é a maneira que a história é descrita.

O vilarejo que Faraday habita é pequeno e possui pouquíssimos mercadores, mas serve principalmente para aumentar o senso de progressão do jogador, pois quanto mais áreas ele completa, mais o vilarejo fica ativo e os moradores mais felizes e nutridos. Essa é uma ferramenta que é bem usada, mas a inclusão de mais NPCs com diálogo elevaria essa mecânica.

A história de Olija não é um de seus fortes, mas nunca se torna irritante. O maior problema dela é a falta de exposição do mundo dada ao jogador, mas mesmo se ela fosse mais clara ainda não seria nada muito fora do comum.

Gameplay

O loop de gameplay de Olija é simples e engajante. Ele mistura a exploração de jogos de aventura com os pequenos desafios de combate e movimentação de jogos de plataforma. Faraday pode usar ataques corpo a corpo, seu arpão e suas armas secundárias, e todas fluem bem e são baseadas em seu direcionamento (como em Super Smash Bros).

Olija não é a primeira tentativa do estúdio de criar um jogo com o este estilo de combate, e esta outra tentativa era BackSlash, um brawler com foco em multiplayer local.

Além do combate, muito do loop de gameplay do jogo envolve plataformas, que é polido e quase sempre envolve usar o arpão pra teletransportar para lugares rapidamente ou estrategicamente. Faraday viaja entre varias regiões do país, local por local, enquanto vai descobrindo pedaços de mapas novos no final de toda área, e a dificuldade vai escalando de maneira uniforme.

Olija 2

Mesmo assim, Olija não é um jogo particularmente difícil. Nas quatro horas de jogatina, nem os mais difíceis bosses são o suficiente para desafiar Faraday, que possui uma gama de habilidades que são muito variadas se comparadas aos ataques dos inimigos, que são lentos e fracos.

Em algumas seções do jogo ele tenta variar a progressão oferecendo vários segredos que podem ser descobertos ao jogar o arpão em áreas suspeitas e concedendo um pouco de liberdade ao jogador em escolher a ordem de exploração dos mapas.

O maior problema da gameplay é a falta de uma mecânica ou filosofia de design única ao jogo. Tudo que está em Olija neste departamento é bom e bem executado, mas nada o faz se destacar o suficiente na indústria, nem mesmo a mecânica do arpão.

Além disso, Olija possui um fator replay muito baixo, pois ao zerar o jogo, o seu save é apagado automaticamente, não deixando nem o jogador voltar para pegar os colecionáveis ou conquistas.

Estética, Gráficos e Áudio

Os gráficos são todos pixelados em um estilo que lembra o de clássicos de aventura, como Another World. Os visuais se mantém em um bom meio termo entre abstração e detalhamento, mas nunca impressiona muito, por causa da direção de arte monótona. Porém, os visuais de Olija brilham em suas cutscenes.

Elas são poucas, mas são muito bonitas e demonstram uma ambição muito maior que a do resto do jogo, com exceção das animações que são bem fluidas (principalmente as de Faraday) e que representam bem a personalidade de cada personagem.

olija 9

Terraphage é um lugar misterioso, mas sem muitas características únicas além de suas múltiplas ilhas. Seria interessante ver este país mais como uma “força da natureza”, mas a maior parte dos inimigos do jogo não refletem isso por serem humanoides, e assim ele acaba se tornando só mais um local inspirado na estética oriental medieval/moderna.

Os efeitos sonoros são usados muito bem, principalmente no combate que é sempre pincelado pela paleta de som impactante do jogo, junto dos sons ambientes que servem para aumentar a imersão.

A trilha sonora, em contraste, não é nada memorável e acaba sendo composta apenas por músicas ambientes no meio da jogatina. Ela é pouco presente, e quase não gera impacto algum na tensão ou conforto do jogo, sendo uma das partes que mais desaponta.

Conclusão – um jogo com muito potencial e pouca ambição

Olija é um bom jogo e vale seu preço de admissão, mas não é nada demais. Dentre vários outros ótimos jogos de plataforma e ação, ele é apenas decente. Um sistema de combate polido e gráficos interessantes são o suficiente para manter o interesse do jogador em sua curta campanha, mas não são o suficiente para torná-lo memorável.

Confira o trailer abaixo:

Olija já está disponível para Playstation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Nota final para Olija
3.0Bom
Jogabilidade
Gráficos
Enredo
Trilha sonora
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