Espiral – O Legado de Jogos Mortais é o nono filme da franquia Jogos Mortais, com lançamento previsto para 17 de junho no Brasil. Estrelado e produzido pelo ator e comediante Chris Rock, o longa também conta com a participação de Samuel L. Jackson. A produção prometeu não ser uma continuação da velha narrativa da franquia, mas se passa no mesmo universo com um novo Jigsaw.

O longa tem como protagonista o detetive Ezekiel Banks, apelidado de Zeke e interpretado por Chris Rock. Zeke é conhecido como o ‘dedo duro’ na delegacia onde trabalha, pois denunciou um policial corrupto há dez anos, o que abalou sua popularidade com os colegas. Seu pai, interpretado por Samuel L. Jackson, é um ex-chefe de polícia aposentado do mesmo departamento.

O filme tem início com a morte de um policial em um túnel do metrô, decorrente de uma das armadilhas do novo Jigsaw, este revela que sua motivação é punir os policiais corruptos da cidade. O assassino não se revela e só faz aparições com máscara de porco – nos Estados Unidos, policiais são chamados pejorativamente de pig (porco, na tradução direta). Zeke fica encarregado de solucionar o caso com um novo parceiro policial, William Schenk, interpretado por Max Minghella. A narrativa baseia-se na busca pelo assassino, que deixa como pista desenhos de espiral, característicos das bochechas do antigo boneco dos filmes anteriores.

A franquia Jogos Mortais, disseminadora do torture porn, segurou as rédeas nas cenas explícitas de tortura em Espiral. O filme se encaixa melhor na categoria de perseguição policial. Apostando em um elenco conhecido, o roteiro de Peter Goldinger e John Stolberg, ambos roteiristas de Jigsaw (2017), se desenvolve em cima das problemáticas pessoais do protagonista que precisa solucionar um crime enquanto lida com questões pessoais. Entretanto, o longa peca com a repetição e torna-se fácil prever os próximos acontecimentos.

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O longa busca criticar o sistema policial corrupto, isso fica claro pelas motivações do novo Jigsaw em ferir os desonestos do ramo e é reforçado pelo desprezo que os policiais do departamento demonstram com a super honestidade do protagonista Ezekiel – nome bíblico em alusão ao profeta do antigo testamento que assume a responsabilidade de um sistema corrompido. Porém, a crítica resulta em um discurso genérico. Não é especificado o que seria essa ‘corrupção’ ou ‘desonestidade’ praticadas pelos policiais que compõe esse sistema, nada é realmente dito sobre o assunto.

A notícia de que Chris Rock protagonizaria o filme causou preocupação no público, já que o ator é conhecido exclusivamente pelos seus papéis como comediante. Espiral tem alívio cômico exclusivamente causado por ele – apesar de algumas piadinhas ultrapassadas sobre esposas neuróticas, no melhor estilo boomer. Entretanto, quando a trama exige dramaticidade, sua atuação parece caricata e dispõe seus esforços em semicerrar os olhos em todas as cenas de tensão.

A direção de Darren Lynn Bousman – que também dirigiu Jogos Mortais II, III e IV – é consistente com a franquia e conta com cenas editadas em ritmos acelerado características do Jogos Mortais, além de cenas de ação ao som da trilha sonora de 21 Savage. Embora o longa possua apenas 93 minutos (cerca de 1 hora e 30 minutos), há uma porção de flashbacks que insistem em relembrar trechos que aconteceram há pouquíssimo tempo, o filme fica explicando a si mesmo.

Outro ponto que distrai são as caracterizações fracas dos personagens quando retratados no passado, perucas e bonés deram um ar teatral e não foram suficientes para convencer de que os personagens eram 10 anos mais jovens.

O longa também contém easter eggs e referências a outros filmes de Hollywood, como a armadilha na primeira parte do filme que pode ser encontrada em um pré-molde no quadro de Kramer, em Jogos Mortais II. Uma placa no cenário com o nome “Vincent e Jules”, faz referência aos nomes dos personagens de Samuel L Jackson e John Travolta em Pulp Fiction.

O próprio Chris Rock definiu Espiral como um recomeço da franquia, e não uma continuação de Jogos Mortais. Embora procure se reinventar dentro do mesmo universo, com foco na narrativa ao invés de cenas de tortura, isso não se sustenta devido à superficialidade das tramas pessoais ou sociais da narrativa. Dificilmente vai atrair novas pessoas que já não sejam fãs há quase uma década. No final, é somente mais um novo filme de Jogos Mortais e sua fórmula não demonstrou potencial para que o longa seja lembrado além disso.

Jogos Mortais inova com a abordagem de Espiral - Crítica
3.3Bom
Enredo
Trilha Sonora
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