Life is Strange: Reunion — deixar ir | Análise

Life is Strange: Reunion — deixar ir | Análise

Max Caulfield e Chloe Price. A dupla dinâmica ataca novamente.

Lançado dia 26 de março de 2026, desenvolvido pela Deck Nine Games e publicado pela Square Enix, Life is Strange: Reunion é a conclusão da saga das queridinhas Max e Chloe, que deram início à franquia Life is Strange.

Reunion, assim como outros jogos da série, segue a receitinha criada pela Don’t Nod lá em 2015 com o primeiro LiS — sim, já faz 11 (onze) anos: o jogo de aventura em terceira pessoa focado em narrativa: explorar lugares, conversar com pessoas e tomar decisões importantes que interferem na história. Aquela “vibe” jovem relativamente alternativo que aprecia o pôr do sol também não foi esquecida (e isso é lindo, juro).

  • LIFE IS STRANGE: REUNION análise
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Antes de você PENSAR em ler este texto saiba que, caso você não tenha jogado nenhum Life is Strange, recomendo fortemente que jogue (nessa ordem): Life is Strange (2015), Life is Strange: Before the Storm (2017) e Life is Strange: Double Exposure (2022).

Life is Strange: Reunion é uma sequência direta, portanto, o texto pode conter spoilers de todos os seus antecessores. Por favor, não pule de paraquedas neste jogo!

E só pra complementar, sobre outros jogos da franquia: se você gosta do estilo de LiS, eu imploro, jogue também Life is Strange 2 (2018) e não esqueça o capítulo gratuito The Awesome Adventures of Captain Spirit (2018 [ele faz parte de LiS 2])… Não é sobre a Max, nem a Chloe, nem voltar no tempo, nem nada do primeiro… Mas são jovens com problemas… e poderes… e tal… Se quiser dar uma chance… e tal… Ah, e pode ignorar Life is Strange: True Colors (2021), esse aí tudo bem, eu permito. 🤫

Avisos dados, então vamos lá! Recapitular!

No primeiro Life is Strange, Max Caulfield, a jovem fotógrafa que vê uma menina de cabelo azul tomar um tiro no banheiro do colégio de ensino médio e com isso descobre que 1) possui poderes. 2) a menina de cabelo azul era, na verdade, sua melhor amiga de infância (Chloe) 3) alunos têm sérios problemas com saúde mental 4) a segurança da instituição, e talvez, da cidade inteira, não é nada boa 5) seu professor favorito é um assassino em série 6) deve escolher entre uma cidade inteira e a vida de sua melhor amiga (e/ou ficante); entre outras coisas! Tudo isso em apenas uma semana! Que diversão!

Depois dessa aventura, vem Life is Strange: Double Exposure. Max agora está traumatizada e não quer mais usar seus poderes. Anos se passam e, ainda uma jovem fotógrafa, se torna instrutora em uma universidade! Mas aí, de novo, uma amiga importante (Safi) toma um tiro (só que dessa vez no topo de uma montanha), e, com isso, descobre que 1) possui outros poderes 2) alunos ainda têm sérios problemas com a saúde mental 3) a universidade está cheia de esquemas 4) outros seres humanos também possuem poderes 5) as consequências às vezes não são tão ruins 6) entre outras coisas!

E agora estamos aqui, em Life is Strange: Reunion. Max Caulfield ainda faz residência na Universidade Caledon, vive no mesmo chalé confortável fornecido pela universidade, dá ainda mais aulas de fotografia… É o que ela queria! Fugir das tragédias do passado… ou talvez só… viver? Bom, agora ela tem uma agente! E teve seu trabalho exposto em Nova Iorque! Com direito a entrevistas!

LIFE IS STRANGE: REUNION

Acontece que, quando Max estava voltando de sua super viagem em NY, um incêndio tomava conta de Caledon. Max quase chega a tempo de fazer algo, mas… não foi suficiente. Alunos e amigos estão em perigo mortal.

E adivinha só? Isso mesmo! Max descobre que ainda consegue voltar no tempo por fotos.

E adivinha só?… Isso mesmo! Max vai abrir mão de tudo o que conquistou nessa viagem para descobrir o que está acontecendo e evitar o incêndio!

E lá vamos nós. Investigar, infiltrar lugares e pegar informações! Tudo de novo, assim como em 2015 e em 2024: mais um clube de alunos, mais um novo diretor e, claro, não podemos esquecer das suas amigas. Vamos lá, deduzir quem é o culpado.

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Mas claro, Max não está sozinha! Moses, nosso amigo que veio do Double Exposure, antigo melhor amigo da Safi, atua como substituto do nosso antigo amigo Warren — lá do primeiro jogo. Graduado em astrofísica, serve como confidente, clarificador e apoio moral — só faltou ser opção de romance! Depois de toda aquela maluquice com dimensões no jogo passado, Moses continua o estudo em conjunto com a Max para aliviar culpa, minimizar danos e, quem sabe, entender qual é a pira desses poderes temporais!

Pequena tangente: não é um pouco engraçado que Max é a única pessoa com poderes de Life is Strange que decide caçar alguma explicação científica e sempre conta com ajuda de pessoas da área? Ai, mas coitadinha, né? Não é como se qualquer errinho que ela cometa possa acabar com uma dimensão inteira, né? Haha.

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“poxa, lani, mas você não falou que max e chloe estão juntas?”

E estão! Chloe não só tem tudo a ver com a trama, como ela também é jogável! SIM! EM LIFE IS STRANGE: REUNION VOCÊ JOGA COM MAX E CHLOE!!! JOGA COM CHLOE E MAX!!!

Daughter — Isolation. Vejo muito da relação Max&Chloe nessa música aí. Essa banda também está presente como os compositores da trilha original de Life is Strange: Before the Storm. Gosto muito de Burn it Down.

Antes do show, ela aguarda sua banda chegar. Chloe agora é manager (empresária?) de uma banda emo artcore dançante da quarta onda. Insano. Enquanto aguarda, ela dá uma olhada no espelho e é transportada para um local desconhecido (talvez não para você). Chloe vê montanhas, neve, banheiros, bancos e um antigo farol. É a tempestade de Double Exposure, e está acompanhada de Max e Safi. Depois de algumas coisinhas, ela acaba voltando para a sala, onde sua banda ainda não chegou. Chloe segue sem entender o que acaba de acontecer.

Episódios como esse se tornam recorrentes: que montanha era aquela? Por que Max começou a aparecer nessas visões esquisitas? Quem é essa outra guria na mesma visão? Chloe, então, tenta entrar em contato com Max, deixa sua banda sozinha e viaja rumo ao seu destino.

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Sua ex-namorada/amiga vai voltar e conhecer todos seus amiguinhos tranquilos da cidade pacata! Já, para você, jogador que escolheu a morte de Chloe no primeiro jogo, deve ser bem bizarro. Como assim a Chloe está viva nesse mundo? Depois de tudo o que passamos, ela está entre nós?

Doidera, né? Mas vai fazer sentido; eles vão explicar bonitinho pra você.

Agora, se você vai gostar, é outra coisa…

É possível nutrir muito amor por este jogo. Pela união, pelas dinâmicas sociais… afinal, somos Max e Chloe! Estamos juntas de novo! Voltamos no tempo, igual ao primeiro jogo! Discutimos igual no Before the Storm! Mas vale a pena? A trama em volta da dupla vai alcançar nossas expectativas? Ou será que só o fato de termos elas de volta já sustenta toda a obra?

LIFE IS STRANGE: REUNION análise

Life is Strange: Reunion é um jogo amor & ódio.

Não tem como ignorar o quão cheio de fan service é este jogo. Já foi forçado ver a Max de novo; pior ainda, ter Chloe de volta desse jeito. Mas fazer o quê? Eu sou um dos fãs! Eu fui agradado! Tudo o que eu queria era ver as namoradinhas que juntei tendo uma vida juntas! Aff, que ódio!!!

Mas existia a possibilidade de fazer Reunion ser algo lindo, vindo da repetição do que funcionou e do que muitos clamavam por mais. Observar as amigas de infância, a sutil chama; draminhas, calmarias e brincadeiras enquanto fuçam tudo o que encontram pela frente.

Chloe, a punk expansiva que talvez, só talvez, seja direta demais; a garota bem articulada, posicionada, amorosa e um tantinho inconsequente. Max, fã eterna de filmes de terror nichados e de fotos em momentos não convencionais, que sempre coloca outros acima de si, ou melhor, ela mesma abaixo de outros; esforçada, preocupada e com um senso de privacidade difícil de compreender.

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É impressionante como a frase “a curiosidade matou o gato” não interfere em nenhum dos passos das nossas queridas em Life is Strange… Praticantes da arte de invadir propriedades privadas e festas especiais, apreciantes de adrenalina e, mais ainda, do desvendar do trajeto.

Em contrapartida, elas estão em uma cidade pacata com um monte de gente sem graça. Ambiente e personagens são os mesmos do jogo anterior, Double Exposure, que também sofreu por conta disso. Infelizmente (ou não) o combo Max e Chloe deixa ainda mais evidente a falta de tempero de outras personalidades.

Moses é okay. Safi é okay. Amanda é okay. Vinh é okay. Loretta é interessante (é okay). Lucas, Yasmin, Reggie, são okay. Jeannette, Noelle, Owen… nem okay são… E por aí vai…

Nem é por falta de tentar, viu?! A maioria dessa galera aparece com alguma frequência e tem seus arcos bem demarcados; só são sem graça mesmo. Muitos dos citados vêm do Double Exposure, o que ajuda bastante a simpatizar com eles; Amanda e Vinh, interesses amorosos em DE, pareciam fofinhos e se aproximavam de uma forma natural mas, após a chegada da Chloe, se tornam planos aos olhos comuns. É como comer uma casquinha de baunilha e logo após ser presenteado com um super sundae flurry hiper sei lá das quantas (foi a melhor comparação que eu consegui, sorry 😝). Nada contra o básico; só é curioso o quão claro é quando colocados lado a lado no mesmo LiS.

Double Exposure por si só é morno, lotado de inconsistências; até tem uma progressão proveitosa, mas por fim me trouxe medo pelo futuro da franquia, coisa que, para meu alívio, Life is Strange: Reunion não chega nem perto de tocar. Mas é, sinto falta da Gwen Hunter, ela era a única legal de Caledon.

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Lembrar de Arcadia Bay é doloroso; não era Max e Chloe, era Max, Chloe e Arcadia Bay. Joyce, Warren, Victoria, Kate, etc., etc… Por conta da decisão final em Life is Strange, era crucial, quase como uma obrigação para a Don’t nod, trazer personagens que fizessem o jogador se importar com aquela cidade. De certa forma, essa característica me marcou com o que significa “ser” um Life is Strange.

Personagens que cativam, que pegam sua atenção, que entram na sua cabeça e interferem em como você vai lidar com a próxima ação no seu jogo de fazer escolhas. Para mim, Life is Strange: Reunion tem apenas Max e Chloe, mas talvez você tenha mais sorte com os novos personagens do que eu.

Lembrar de Arcadia Bay é mais doloroso ainda se você se chama Max.

Presa em um ciclo de culpa e autocobrança constante.
Rodeada por pessoas trágicas e, numa coincidência, detentora do poder capaz de ajudá-las.
Com isso, torna-se também, detente de seu próprio poder.

Diversas vidas sob sua responsabilidade, e apenas ela sabe todas as complexidades envolvidas.
Ela, pela terceira vez, se encontra na exata mesma posição.

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Max continua o sofrimento pelas mesmas problemáticas, a arrumação de situações nebulosas e o pesar de toda consequência acumulada em seu colo. O jogador decide de que maneira Max vê essa situação, mas a culpa não vai diminuir e muito menos passar; culpa essa que reverbera em todos que decidem ter Max como conexão genuína.

Culpa para muitos, menos para o jogador. O que é expressado a nós em Life is Strange: Double Exposure e Reunion é uma culpa rasa acompanhada de reações discretas, reações desbalanceadas. Reações culposas à própria culpa.

Etta Marcus — Let It Happen, Let It Go. Deixem Life is Strange ir.

Eles não cansam de repetir o ciclo do sofrer da Max. Até porque isso custaria uma sequência mais elaborada.

No fim… é okay.
Nota: é uma jornada interessante, tem um final satisfatório, diálogo mais cringe que o normal, uma reunião simplória, gráficos esquisitos e desempenho desastroso. Cuidado, PCs que custam menos de sete mil reais!!!

É triste experienciar o que a saga Life is Strange se tornou, ao mesmo tempo que é uma obra linda para quem ama Max e Chloe.

Reitero: eu amo Max e Chloe.

O primeiro Life is Strange me fez dar rumo à minha vida. Me fez chorar por incontáveis horas, seja pela possibilidade de uma cidade inteira se desmoronar por culpa minha, seja pela construção da importância que alguém pode ter. Me fez reavaliar todas as minhas ações antes de receber suas consequências, me fez ter minha primeira tatuagem escondido antes dos 16 anos. Me fez entrar para um curso de fotografia e, posteriormente, um curso de jogos digitais. Me fez amar mais, me importar mais. Notar mais: seja ele o próximo, o todo ou o pequeno detalhe.

LIFE IS STRANGE TATTOO

É Arcadia Bay que deve permanecer? Ou Chloe, com todo seu amor? Até hoje minha resposta muda. Em 2016, era Arcadia Bay, acompanhada de uma hora de silêncio, olhos aguados e muitos soluços. Em 2023, era Chloe, acompanhada de outra hora de silêncio, batidas rápidas de coração, nariz escorrendo e a verdadeira realização do que é amar alguém.

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Em Life is Strange: Reunion é bom vê-las juntas… mas, às vezes, temos que aprender a deixar ir! Se contentar com o que tem destrói o coração, deixa miserável, torna pior do que era antes.

Deixarei essa história pra lá e aproveitarei outra.
Jogarei o primeiro Life is Strange… de novo.

Uma cópia gratuita de Life is Strange: Reunion para PC foi concedida pela Square Enix para análise no Recanto do Dragão.